TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS, TAA.

A terapia assistida por animais (TAA) é uma prática com critérios específicos onde o animal é
a parte principal do tratamento, objetivando promover a melhora social, emocional, física e/ou
cognitiva de pacientes humanos. Ela parte do princípio de que o amor e a amizade que podem surgir
entre seres humanos e animais geram inúmeros benefícios. A zooterapia pode servir como auxílio no
tratamento de diversas patologias como síndromes genéticas, hiperatividade, depressão, mal de
Alzheimer, lesão cerebral, entre outras. O TAA deve ser supervisionada por profissionais da saúde
devidamente habilitados e pode ser praticada por profissionais, paraprofissionais e voluntários
devidamente treinados. Os animais devem ter o acompanhamento de médico veterinário garantido o
bom estado sanitário do animal e minimizando o potencial zoonótico; e principalmente zelar pelo bem
estar do animal com respeito e muito carinho, pois a qualidade de vida desses terapeutas animais é
essencial para o bom funcionamento da TAA.

1. INTRODUÇÃO
Desde as antigas civilizações a.C. se tem relatos do uso de animais para
benefício humano. Admite-se que felinos tenham sido introduzidos voluntariamente
pela população neolítica, assim como aconteceu com outros animais, como vacas,
cabras, ovelhas, raposas, porcos e veados. Os gatos tinham a função de controlar a
população de ratos que atacava as plantações de cereais de Chipre e do Oriente
Médio e é provável que sua domesticação tenha começado entre 12 e 14 mil anos
atrás, pois existem evidências de que ratos já proliferavam locais de armazenagem
de cereais nesse período . Ressalta-se que a domesticação de
outros animais já foi identificada anteriormente. Em Israel, por exemplo, foram
encontrados, enterrados ao lado de humanos, esqueletos intactos de cães em sítios
arqueológicos de mais de 12.500 anos . Outro animal de
fundamental importância na história do homem é o cavalo; durante a Idade do
Bronze e do Ferro foi fundamental nas atividades de pastores nômades da Eurásia e
acompanhou a evolução das sociedades humanas desde sua domesticação,
provavelmente em 3.500 a.C. Antes do desenvolvimento de armas de fogo, ele foi
um importante instrumento de guerra e antes da invenção da máquina a vapor ele
era o meio de transporte terrestre mais rápido e confiável .

A TAA foi utilizada intuitivamente por William Tuke, em 1792, no tratamento
de doentes mentais. A equoterapia, uma modalidade TAA, teve seus primeiros
relatos como tratamento médico no século XVIII, com o objetivo de melhorar o
controle postural, a coordenação e o equilíbrio de pacientes com distúrbios
articulares .

No Brasil a médica veterinária e psicóloga Hannelore Fuchs coordena um
importante projeto de TAA em São Paulo, denominado “Pet Smile”, há quase dez
anos. Tendo fundado a Abrazoo (Associação Brasileira de Zooterapia) essa
profissional, com a ajuda de voluntários tem atuado no sentido de proporcionar uma
interação dos animais (cães, gatos, coelhos) com crianças e adolescentes de
hospitais ou instituições. Há bons profissionais da área da saúde que se interessam
pelo tema, mas não têm conhecimento sobre os animais. Por outro lado, há
profissionais da medicina veterinária que conhecem bem o animal, mas sabem
pouco sobre os seres humanos (JULIANO et al., 2007).

2. CONTEÚDO
FRIEDMAN foi um dos pioneiros no estudo dos efeitos da interação
homem-animal sobre parâmetros fisiológicos e saúde cardiovascular humana, sendo
que os resultados de diferentes estudos demonstraram que a TAA pode promover a
saúde física através de três mecanismos básicos que incluem a diminuição da
solidão e da depressão; diminuindo a ansiedade, os efeitos do sistema nervoso
simpático e aumentando o estímulo para prática de exercícios. A TAA pode ser
aplicada em áreas relacionadas ao desenvolvimento psicomotor e sensorial, no
tratamento de distúrbios físicos, mentais e emocionais, em programas destinados a
melhorar a capacidade de socialização ou na recuperação da auto-estima. Os
recursos da TAA podem ser direcionados a pessoas de diferentes faixas etárias,
instituições penais, hospitais, casas de saúde, escolas e clínicas de recuperação. É
fundamental o trabalho de uma equipe multidisciplinar capaz de escolher o método
mais adequado a ser aplicado, acompanhando as atividades e o bem estar dos
animais e dos pacientes, que irá refletir no benefício real da qualidade de vida dos
mesmos .
A equoterapia utiliza a similaridade entre o ritmo
do movimento do animal e do ser humano de forma que permite, durante a
cavalgada, o fortalecimento da musculatura de pacientes com habilidade limitada de
funções motoras comuns em casos de paralisia cerebral, esclerose múltipla, espinha
bífida e traumatismos cerebrais. Entretanto uma avaliação criteriosa deve ser feita
com a finalidade de adequar os exercícios e providenciar medidas que evitem a
exposição dos pacientes a riscos desnecessários. As agressões por parte dos
animais podem ser evitadas realizando uma avaliação do temperamento individual e
comportamento inerente à espécie animal escolhida, sendo essencial reconhecer se
há uma empatia deste com o paciente. Obviamente, os pacientes com fobias e
aversão a animais não devem ser incluídos em programas de TAA, bem como
pessoas com problemas alérgicos (SAN JOAQUÍN, 2002).

PERELLE & GRANVILE (1993) ressaltaram a importância do
acompanhamento e da constante observação de voluntários durante a aplicação da
TAA em pacientes idosos, interrompendo a terapia a qualquer sinal de “stress” ou
fadiga. A quantificação sistemática dos resultados e a utilização de grupos controles
são fundamentais para o desenho experimental e confere maior confiabilidade aos
resultados obtidos em pesquisas nessa área.
A continuidade do programa de TAA é um aspecto que não pode ser
negligenciado, pois o impacto negativo da interrupção do tratamento pode resultar
em problemas emocionais preocupantes, principalmente em crianças e idosos. É
preciso considerar situações como a manutenção de recursos financeiros para o
programa e evitar que a relação homem-animal tenha caráter de exclusividade,
posse ou dependência. É importante lembrar que a perda do animal remete a
sentimentos dolorosos, difíceis de serem resolvidos pelos pacientes (McGUIRK,
2005).
O caminho, para avançar, parece ser mesmo o trabalho com as universidades.
Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária, em parceira com a Faculdade
de Odontologia, da Universidade Estadual de São Paulo de Araçatuba, iniciaram, em
2003, o projeto “Cão-Cidadão-Unesp”, que investiga as reações que os animais
provocam em crianças com necessidades especiais, como as que sofreram paralisia
cerebral, as portadoras da síndrome de Down e de outros tipos de comprometimento
mental. O projeto conta com a participação de médicos veterinários, adestradores,
cirurgiões dentistas, psicólogos, fisioterapeutas e acadêmicos voluntários. Os
resultados têm sido satisfatórios, pois os pacientes apresentam melhor
comportamento e colaboram no atendimento dentário. Este trabalho tem despertado
o interesse da comunidade e de outras instituições, além de ser uma unanimidade
em satisfação por parte de toda a equipe envolvida. Na Universidade de Brasília
uma equipe de veterinários e médicos iniciou, em 2004, um estudo sobre os efeitos
da TAA mediada por cães no tratamento de pacientes com Doença de Alzheimer.
Os pacientes participam de sessões de fisioterapia e trabalham com a ajuda de
neuropsicólogos e psiquiatras. Os resultados estão sendo analisados e há grande
expectativa para a conclusão sobre este trabalho conjunto.
Envolvendo a equoterapia, já mencionada anteriormente, a Fundação Selma,
em São Paulo, conta com esta alternativa para pacientes em terapia de reabilitação
física. Na área da educação cães, ratos, coelhos, porquinhos-da-índia e até algumas
aves têm auxiliado o trabalho com crianças e adolescentes, tornando-o mais atrativo
e auxiliando o tratamento de problemas de linguagem, de percepção corporal e de
controle da ansiedade. A experiência mostrou-se promissora no tratamento de
crianças com hiperatividade e com quadros depressivos (JULIANO et al., 2007)

Cadelinha espalha alegria na cidade de Salt Lake, nos Estados Unidos, e prova que a deficiência não torna ninguém incapaz.


3. CONCLUSÃO
A importância dos animais na sociedade não tem limites. A interação homem –
animal desde o começo dos tempos sempre nos trouxeram benefícios. Eles estão
sempre prontos e dispostos a nos ajudar, então cabe a nós humanos cuidar desses
”terapeutas” tão dedicados, respeitando e protegendo das atrocidades cometidas
pelo próprio homem com criaturas tão inteligentes e importantes para nossa
sociedade.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
De PAUW, K., Therapeutic horseback riding in Europe and America. In: ANDERSON
R.K. The Pet Connection: Its Influence on Our Health and Daily Life. Hart
LA ed. Minneapolis: Center to Study Human-Animal Relationships and
Environments, p.141-153, 1984.
FRIEDMANN, E. The value of pets for health and recovery in: Waltham Symposium
20, 1990, Proceedings… Pets, benefits and practice. 1st European Congress of
the British Small Animal Veterinary Association, Cheltenham, England: BVA
Publications, p.8-17.
JULIANO, R.S., JAYME, V.D.S., FIORAVANTI, M.C.S., PAULO, N.M., ATHAYDE,
I.B. Terapia Assistida por Animais (TAA): Uma Prática Multidisciplinar para o
Benefício da Saúde Humana.

LEVINE, M.A. Investigating the origins of horse domestication. Equine Veterinary
Journal Supplement, v.28, p.6-14, 1999.
McGUIRK, K. Animal assisted therapy at children’s specialized hospital.

PENNISI, E. Biologists chase down pooches’ genetic and social past: A Shaggy Dog
History, Science, v.298, p.1540-1542, 2002.
PERELLE, I.B.; GRENVILLE, D.A. Assesment of the effectiveness of a pet facilitated
therapy program in a nursing home setting. Society & Animals Journal of
Human Animal Studies, v.1; n.1, 1993.

2 comentários em “TERAPIA ASSISTIDA POR ANIMAIS, TAA.

  1. tenho interesse em incluir nas ações terapeuticas um aquario no trabalho de crianças com necessidades especiais. Gostaria de trocar idéias.

    • Silvete,
      Dei uma pesquisada, e achei este link, achei muito interessante…podemos trocar mais informações:

      http://edif.blogs.sapo.pt/72739.html

      A utilização do peixe como terapia
      Existem mais de 28 mil espécies de peixes, que se dividem nos seguintes grupos: peixes ósseos (mais 22.000 espécies) à qual pertencem as sardinhas, as garoupas, o bacalhau, o atum…; peixes cartilaginosos (mais de 800 espécies) à qual pertencem os tubarões e as raias; e vários grupos de peixes sem maxilas (80 espécies), incluindo as lampreias por exemplo.

      História
      Os chineses foram pioneiros no que respeita à criação de peixes – criaram métodos de selecção genética para desenvolver espécies adequadas à vida em cativeiro.
      Os romanos também se dedicaram aos peixes e construíram aquários enormes. Hoje em dia, existem imensos aquários em todo o mundo – para estudo e observação, para criação e para diversão.

      Características
      Os peixes não dormem – apenas alternam estados de vigília e de repouso. O período de repouso consiste num estado de imobilidade, em que os peixes se equilibram através de movimentos lentos. Como não possuem pálpebras, os seus olhos ficam sempre abertos.

      Terapia utilizando peixes
      A vida dos peixes depende da atenção dos seus donos, contudo, a manutenção do aquário proporciona ao cuidador momentos de calma, tranquilidade e de meditação.

      Actividades
      – Retirar as plantas e as impurezas;
      – Aspirar das paredes e o limpar as pedras;
      – Mudar a água;
      – Alimentar os peixes;
      – Verificar se os peixes estão com alguma mancha ou aparência diferente.

      Benefícios
      Desenvolve a autonomia, trabalha o sentido de responsabilidade e a auto confiança. Para além disto, auxilia no desenvolvimento da cognição, comunicação e motricidade global. Contribui para o alívio do stress e proporciona momentos de completa tranquilidade e relaxamento.

      Intervenção
      O peixe de aquário poderá revelar-se para a criança/jovem com nee, como o primeiro passo para a terapia assistida por animais. Isto porque, o animal é pequeno e se encontra num aquário (de onde não sai) – facilitando uma primeira aproximação.
      A terapia assistida por animais poderá envolver mais do que um animal. Desta forma, se o terapeuta ou técnico iniciar o trabalho utilizando um aquário poderá revelar-se como um eficaz motivo de inicio de conversa.

      Pedro Santos in Compêndio de Terapia Assistida por Animais

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