Gatos fazem bem para mulheres durante a gravidez e o trabalho de parto.

Outro dia, em uma conversa do Grupo de Gestantes do DCE-UNICEUB, começamos a falar sobre animais domésticos, sua presença durante o parto, e os cuidados que se devem tomar durante a gestação. Comecei então a pesquisar um pouco mais sobre isso, e encontrei algumas informações muito interessantes a respeito dos gatos, que gostaria de compartilhar com vocês.

Gatos convivem com os seres humanos há aproximadamente 9 mil anos. Há dois mil anos, no Antigo Egito, eram considerados como animais sagrados e úteis, de natureza mística e delicada, e venerados.

Uma gata preta, com um brinco ou colar, ou uma mulher com cabeça de gato, representava a deusa Bastet, e simbolizava os poderes benéficos do Sol. Além de Bastet, Rá e Osíris, também deuses egípcios, eram ocasionalmente representados por figuras felinas. Bastet, a deusa-gata, era a protetora dos gatos, das mulheres, das crianças, da maternidade e da cura. Era a guardiã dos lares e a feroz defensora da prole, representante do amor maternal.

Imagem de uma mulher parindo de cócoras,
 amparada por duas divindades;
 Templo de Hathor de Dendera 
(304-30 BC; Museu Egípcio, Cairo). 

Essa divindade também estava associada à Lua, e protegia os partos e as mulheres grávidas de doenças e da influência dos maus espíritos. Acreditava-se que os gatos possuíam a visão do outro mundo e que sua presença era benéfica, inclusive nos locais onde ocorríam os partos, pois eles afastavam os maus espíritos e convidavam a presença de divindades de bom augúrio.

No Antigo Egito, o gato era considerado um ser divino, de tal ordem que, se um deles morresse de morte natural, as pessoas da casa onde vivia raspavam as sobrancelhas em sinal de luto. No santuário de Bastet, em Bubástis, foram encontrados milhares de gatos mumificados, assim como inúmeras efígies de bronze, o que mostra a veneração a esse animal na cultura egípcia.

O gato é um símbolo que assumiu múltiplos significados entre as diferentes civilizações ao longo da história. Segundo a tradição celta, ele teria nove vidas. Posteriormente, durante a Idade Média, a sabedoria popular passou a atribuir-lhe sete vidas. Animal misterioso, associado aos poderes da lua, ao mundo da magia e às bruxas, sofreu perseguições nos países cristãos por ser considerado um enviado das trevas, uma encarnação do demônio.

Na Cabala e no budismo, a figura do gato representa a sabedoria, a prudência e a vivacidade.

A capacidade única dos gatos de ronronar foi, durante muito tempo, admirada e mistificada. Em diferente culturas, atribuía-se ao ronronar dos gatos o poder de curar doenças, e até mesmo de aliviar a dor do trabalho de parto, pois ajudava a acalmar a mulher.

O gato foi utilizado em muitas culturas como mediador de cura espiritual, assim como os cristais, o que acabou reforçando sua associação com práticas de magia negra.

Na Europa do século XIV, a perseguição aos gatos atingiu seu auge quando foram injustamente acusados de propagar a peste bubônica e caçados até o limite da desaparição. Foi então que ocorreu a pandemia de peste bubônica na Europa (1347-1352). Quando descobriu-se que não eram os gatos, mas sim os ratos, que transmitiam a doença, os gatos passaram a ser mantidos por perto como seres de “utilidade pública” destinados a controlar a proliferação dos roedores, inclusive em navios, porém, sua reputação já estava feita e muitas pessoas sentíam um verdadeiro pavor infundado dessas criaturas.

A imagem pejorativa dos gatos nos acompanha até hoje. É possível observar claramente, sobretudo em desenhos animados infantis, como a imagem dos gatos como sendo seres traiçoeiros, interesseiros e maldosos persiste até hoje.

Muitas pessoas ainda repetem o velho refrão “gatos são interesseiros, só querem saber de comida; eles amam a casa e não o dono”. Aqueles que convivem com gatos no cotidiano sabem que isso não é verdade: trata-se de uma criatura extremamente afetuosa, carinhosa e agradável.

O mito da Toxoplasmose:

Até recentemente, era comum as mulheres grávidas receberem ordens expressas de seus médicos para se livrarem de seus gatos de estimação. O motivo alegado é que gatos podem transmitir toxoplasmose, uma doença que pode provocar aborto ou má formação fetal. Hoje, sabe-se que isso não é verdade: é muito mais fácil uma grávida adquirir essa doença ao ingerir carnes mal cozidas ou verduras mal lavadas do que diretamente pelo seu gato.

Gatos são criaturas muito limpas: eles passam grande parte do dia se “lavando”, e enterram suas fezes. Para que as fezes dos gatos contaminados possam transmitir a doença devem estar expostas ao tempo por mais de três dias, e a contaminação somente se dá pela ingestão dos oocistos formados depois desse período.

A possibilidade de transmissão para seres humanos pelo simples ato de tocar ou acariciar um gato, ou até mesmo através de arranhões e mordidas, é considerada mínima ou inexistente. Ou seja, não se previne toxoplasmose congênita eliminando o gato da vida da mulher grávida, mas sim tomando certos cuidados higiênicos adequados na ingestão dos alimentos e mantendo bons hábitos de higiene pessoal.

Recomenda-se que as mulheres grávidas abstenham-se de limpar a caixa de areia de seus gatos e evitem entrar em contato direto com suas fezes, delegando essa tarefa a outra pessoa.

“Os olhos de um gato são janelas que nos permitem ver dentro de outro mundo.”

Lenda Irlandesa

*Fontes: Sobre Bebês e Gatos, Mitologia Egípcia, Magia Zen, Olhos de Bastet

                        http://www.adeledoula.blogspot.com.br

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